segunda-feira, 5 de maio de 2014

LOS AMORES CIGANÕES


Eis o começo de uma nova situação;

A data: Faz diferença? Não lembro nem qual foi o meu almoço de hoje, acha mesmo que vou lembrar a data dos acontecimentos?
Dia desses me emprestaram um livro, e aliás fico me perguntando por que tudo sempre tem que começar com um livro. 
Bom, faz diferença? Ah faz, porque nesse livro tinha uma pergunta: "o amor acontece ou ele vira?" Lu, Luiz, Luiz Henrique, como preferia ser chamado, era o nome do personagem do livro. Nome não, pseudônimo. Como ele era um agiota, precisava de um nome melhor que o seu próprio. Pseudônimos. Tá ai uma coisa engraçada. O cara pra quem vou escrever essa 'historinha" também gosta de usar essa coisa babaca de pseudônimo. Franja. Não, não me perguntem se ele tem merda na cabeça. Perguntas óbvias deixemos para depois. Quem tem merda na cabeça sou eu mesmo. Franja. Ganhou esse apelido bacana no colegial. 
Ah, os tempos de colegial. São aqueles tempos que fizeram os seus pais, em um lapso de lucidez momentânea, sentirem vergonha por terem te colocado no mundo. E acredite, sem exceção de pais. Franja, vulgo, Daniel. Loiro, sardas, olhos cor de mel, sapato social, chapéu, suspensório e vendedor de cervejas. Nunca comeu doce de abóbora da vovó. Mas sua cerveja preferida é sabor abóbora. E sim, existe.
Daniel, que em alguma brincadeira sem graça do Sr. Destino, decidiu voltar para minha vida. Justo quando eu não acreditava mais em destino.Cada pessoa tem uma maneira diferente de descobrir que nutre um sentimento de afeto por outra. Em termos mais conhecidos (e juvenis) descobrir que gosta. Eu, como sempre, escolho a que me faz parecer uma idiota. 
xxxxx
Acendi o cigarro, dei umas duas tragadas, enquanto minha melhor amiga falava:
 " É...é. Esse cara é estranho"
 "Não fala assim"
 "Peculiar?" - arriscou, me olhando com desdém
"Peculiar" - concordei  "porra amanda, ele sempre foi o cara mais irritante"
 " hm" - assentiu com a cabeça, enquanto tirava a caixa de cigarros da minha mão.
 "E o mais chato"

 "E agora você fica enfiada no serviço dele, todos os dias, sempre arrumando uma desculpa barata pra passar lá"
"E daí, ele trabalha aqui do lado..." 
"Precisa de dois ônibus pra chegar" 
" Mas não leva nem 30 minutos! " - aquiesci, me sentindo intimidada Foi ai que vi os olhos dela brilhando. Mas aquele brilho que você vê chegando igual nuvem de chuva, vem bem de longe e quando se dá conta..fodeu. 
" Só podemos recorrer a uma pessoa" 
" Não, não, não! Eu jurei que nunca mais faria isso" - Amanda se limitou a me olhar com desinteresse, com seu ar vil e superior. Olhou para o telefone. "Não vou fazer isso..tá, uma pergunta não mata ninguém,né? "
Tocou duas vezes. Três. Na quarta xinguei minha amiga, mentalmente, de puta.
 "Alô?"
 " Oi..sou eu. É, pois é, outra vez"
 "Queriiiiiiiiida, tudo booom? A voz dela era tão irritante que já fez com quem me arrependesse -" é, bom, bom não tá né, mas tamô ai"

"Quem é o rapaz desta vez?? Aí não me diga que é aquele zedec, sei lá o que, outra vez né? "

 Estremeci. Vaca maldita, puta analfabeta. Por que tinha que citar o nome do ex, que nem ex direito era? Será que é pecado xingar uma cigana? Pode dar azar no amor. Li em algum lugar. Se bem que pior que tá, não fica. De repente essas frases clichés faziam tanto sentido.

" melch..ah rosa, não, não, não é ele" - Como assim "quem é o rapaz desta vez?" como se eu tivesse tantos que fosse difícil lembrar. Se bem que..melhor deixar pra lá. 

"Vamos lá! Relaxa, descruza as pernas, não contrai" 

Não, eu não estava ligando para uma parteira. Mas sim, pra única mulher do mundo que sabia de todos os meus romances mal resolvidos. Minha taróloga.


("você devia escrever com a mesma delicadeza que me conta as coisas" Ai eu aceitei a proposta.)

Um comentário:

  1. Nossa...você escreve, pelo menos aqui e em um outro, de um jeito corrido, confuso mas com muito nexo que eu adoro e me cativa. Esse, principalmente, me fez lembrar muito de "Luisa: Quase uma história de amor".

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