sexta-feira, 6 de junho de 2014

SABE QUANDO VOCÊ NÃO SABE?



 Sei.

Ele disse, perdido, enquanto recolhia as garrafas vazias
tentando encontrar a si mesmo.
(nas entrelinhas)

Quero escrever tudo e gritar meu silêncio
Deixar a tristeza falar alto de tanta insistência
E eu sei que cada um vai ouvir só aquilo
que quiser.

Um tempo ai
me disseram que tudo seria fácil
Mas tudo o quê?
Basta escrever - eles disseram
Com a teimosia de antes e a graça de sempre
Movendo a solidão nos bares que frequenta

xxx

O metrô do alto tem o cheiro
do meu melhor amigo - Pensei.
Mas
meu caderno anda ficando cheio
de nada.
As folhas brancas ganharam, enfim.
E eu aqui, cheia de tudo.

Andando de bairro em bairro nas tardes de domingo
perdendo tempo demais tentando ganhar o tempo.
Umas poesias velhas em algum canto,
um livro do Bukowski 
que odiei.

Comecei a ter preguiça de tudo
De comer, escrever, conversar, fumar, trepar
Delicada mesmo nunca fui
então tá bom.
Dos poucos amigos que tinha, ignorava todos.
Primeira, segunda e terceira pessoa
misturava tudo e livro que é bom  não saia nada.

Queria fugir de São Paulo
ô cidadezinha sem graça
Mais mentirosa que eu.

Como é que a gente sabe quando uma coisa termina
e outra começa?
Sabe que eu não sei - Ouvi ele dizer.
E o medo, o que é que a gente faz com ele
mesmo?

Rapaz, vou te falar que eu tô com
um medo tão filha da puta
mas chega mais
porque
sei lá.

Um comentário:

  1. "Andando de bairro em bairro nas tardes de domingo
    perdendo tempo demais tentando ganhar o tempo."

    - até tuitei, rs
    Luana

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Palavrinhas do leitor