segunda-feira, 7 de abril de 2014

365 DIAS DE GABRIEL (éis)



Cap. 1
Apresentação de uma quase história


Essa é uma historinha engraçada. E mais engraçada ainda é a minha definição para “historinha”
Não é de amor, pode até ser que seja de afeto. Mas sabe aquela coisa de rir pra não chorar? É tipo aquelas historias que de tão tristes acabam sendo engraçadas. Mas que coisa, ainda assim não tô conseguindo definir bem sobre o que vou contar. Não é triste, porque não tem tristeza aqui. Tem o drama, que torna tudo mais aceitável. 
Aliás posso garantir aos senhores que drama é algo presente em 99,9% dessas linhas. Se bem que... Não é uma historia, eu bem queria que fosse. São apenas fatos desenrolados no dia a dia de uma vida entediante. Na verdade tudo começou com um livro ó: Monólogos sentimentais. Foi dai que eu percebi que monólogos é tudo que acontece na minha cabeça. O tempo todo.
Eu sempre tive essa mania esquisita de dialogar comigo mesma, sabe, com freqüência. Mas freqüência tipo o tempo todo. Estranho né? Não que eu não tivesse pessoas pra conversar, é claro que eu tinha.

Tinha?

Mas é que estranhamente os melhores conselhos do mundo eu mesma dava pra mim.
Que absurdo gente.
Isso chega a soar até um pouco narcisista da minha parte. Mas eu vou começar com uma palavra intrigante.

Projeção.

Eu até pesquisei melhor pra saber do que, exatamente, se trata. É que sabe, esse negócio de ter uma única palavra que pode ter vários significados sempre me deixou confusa.
Projeção: Mecanismo de defesa, onde os atributos pessoais de um indivíduo, sejam pensamentos inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie são atribuídos a outra pessoa.
É mais ou menos você projetar seus desejos, sentimentos e pensamentos mais profundos em outra pessoa. Quase que uma carência exacerbada. Bom, eu vejo um pouco dessa forma.

Eis que um belo dia tinha um trecho assim:

 “O nome disso é projeção. Eu sou esse cara que se apaixona por um monte de gente, o tempo todo, mas eu juro que são coisas diferentes, de jeitos específicos. Amores dentro de mim são como meios de transporte, cada um tem o seu lugar – a água para os barcos, o céu para os aviões, as estradas para os carros”

E nossa, eu sou exatamente esse tipo de pessoa. Começou bem assim.

- Ele já me pertencia antes mesmo de eu pedir permissão. Só ele que não via isso.

O nome dele é Gabriel.

- Ele coloriu nosso romance com tinta verde. Da cor dos meus olhos. Foi assim que ele me conheceu, pintando meu nariz.

 O nome dele é Gabriel.

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