Cap. 1
Apresentação de uma quase história
Essa é uma
historinha engraçada. E mais engraçada ainda é a minha definição para
“historinha”
Não é de
amor, pode até ser que seja de afeto. Mas sabe aquela coisa de rir pra não
chorar? É tipo aquelas historias que de tão tristes acabam sendo engraçadas. Mas
que coisa, ainda assim não tô conseguindo definir bem sobre o que vou contar. Não
é triste, porque não tem tristeza aqui. Tem o drama, que torna tudo mais aceitável.
Aliás posso
garantir aos senhores que drama é algo presente em 99,9% dessas linhas. Se bem
que... Não é uma historia, eu bem queria que fosse. São apenas fatos desenrolados
no dia a dia de uma vida entediante. Na verdade tudo começou com um livro ó:
Monólogos sentimentais. Foi dai que eu percebi que monólogos é tudo que
acontece na minha cabeça. O tempo todo.
Eu sempre tive essa mania esquisita de dialogar comigo mesma, sabe, com freqüência.
Mas freqüência tipo o tempo todo. Estranho né? Não que eu não tivesse pessoas
pra conversar, é claro que eu tinha.
Tinha?
Mas é que
estranhamente os melhores conselhos do mundo eu mesma dava pra mim.
Que
absurdo gente.
Isso chega a soar até um pouco narcisista da minha parte. Mas eu
vou começar com uma palavra intrigante.
Projeção.
Eu até
pesquisei melhor pra saber do que, exatamente, se trata. É que sabe, esse
negócio de ter uma única palavra que pode ter vários significados sempre me
deixou confusa.
Projeção:
Mecanismo de defesa, onde os atributos pessoais de um indivíduo, sejam pensamentos
inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie são atribuídos a
outra pessoa.
É mais ou
menos você projetar seus desejos, sentimentos e pensamentos mais profundos em
outra pessoa. Quase que uma carência exacerbada. Bom, eu vejo um pouco dessa
forma.
Eis que um belo
dia tinha um trecho assim:
“O nome disso é projeção. Eu sou esse cara que
se apaixona por um monte de gente, o tempo todo, mas eu juro que são coisas
diferentes, de jeitos específicos. Amores dentro
de mim são como meios de transporte, cada um tem o seu lugar – a água para os
barcos, o céu para os aviões, as estradas para os carros”
E nossa, eu
sou exatamente esse tipo de pessoa. Começou bem assim.
- Ele já me
pertencia antes mesmo de eu pedir permissão. Só ele que não via isso.
O nome dele é
Gabriel.
- Ele coloriu
nosso romance com tinta verde. Da cor dos meus olhos. Foi assim que ele me
conheceu, pintando meu nariz.
O nome dele é Gabriel.
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